O Direito à Infelicidade é uma curta-metragem de animação da autoria do colectivo Nefasto, a partir de uma obra original do ilustrador português José Carlos Fernandes, realizada com recurso a uma técnica mista de sombras chinesas e stop motion animation.
Tendo como ponto de partida a difícil aceitação, no mundo desenvolvido, da infelicidade e inadequação, O Direito à Infelicidade hiperboliza a cada vez mais real e crescente sobre-medicação de indivíduos afectados pelo grande flagelo da nostalgia, da saudade, e da vontade de não sorrir.
José Carlos Fernandes é um autor de banda desenhada português. Começou por se fazer notar no meio alternativo dos fanzines português, para além da coerência gráfica do seu trabalho, JCF demonstrava uma extraordinária propensão para a produtividade, que se veio a traduzir em inúmeras pranchas e ilustrações publicadas em diversas publicações alternativas de BD que surgiram na década de noventa.
Costuma ser apontado, com toda a justiça, como o mais importante autor de Banda Desenhada português. O seu imaginário fantástico, apoiado numa superlativa qualidade de escrita, permitiu-lhe assinar ao longo dos anos várias obras magníficas, como os seis volumes da série “A Pior Banda do Mundo” ou A última obra-prima de Aaron Slobodj (2004) – ela própria, em nosso entender, uma obra-prima.
Bibliotecário de Babel
Participações em Festivais de Cinema
Algumas fotos do processo estão disponíveis aqui.
Jan 10
Travessia é uma curta-metragem do colectivo Nefasto, elaborada a partir de um texto de José Mário Branco, extraído do seu sobejamente conhecido FMI. Um homem aproxima-se dos 60 anos e, tomando consciência da distância que o separa da sua juventude, deixa tudo para trás e faz uma viagem de regresso às origens. No final da travessia, reencontra mais do que as memórias…
Mãe, eu quero ficar sozinho…
Mãe, não quero pensar mais…
Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora,
sem sequer ter que me ir embora.Mãe, por favor,
tudo menos a casa em vez de mim,
outro maldito que não sou
senão este tempo que decorre
entre fugir de me encontrar e
me encontrar fugindo,
de quê mãe?Diz, são coisas que se me perguntem?
Não pode haver razão para tanto sofrimento.José Mário Branco – FMI
Dez 24
A Nefasto trabalhou directamente com o Núcleo de Relações Internacionais da Escola Superior de Educação de Coimbra, na organização da sexta edição da já bem estabelecida Semana Internacional da ESEC (International Week of ESEC). Através do planeamento e concepção de uma campanha de divulgação sólida e transversal, apostada na aproximação conceptual das comunicações impressa e audiovisual, a Nefasto contribuiu para a afirmação do evento como um marco na agenda cultural da cidade, que anualmente liga Coimbra à comunidade académica e científica europeia.
Com o mote dado pelo Ano Europeu da Criatividade e Inovação, o evento estendeu-se por cinco dias de conferências, workshops e exposições, devidamente documentados num catálogo de 176 páginas desenhado pela Nefasto, que representou o culminar de um trabalho de identificação gráfica que envolveu o desenho de toda a campanha impressa e multimédia.
A edição de 2009 da Semana Internacional da ESEC deixou a sua marca na história do evento e da Escola, e representou um claro ponto de viragem relativamente às edições anteriores. Desde logo pela dimensão e pelo impacto causado, mas também pela forma como encarou a difusão social do evento e, de um modo geral, a comunicação com o seu público-alvo.
Nesse sentido, o trabalho de consultoria e produção gráfica constituiu um importante contributo para a afirmação da Semana Internacional como um evento sério e actual, cada vez mais centrado na abertura da instituição a diferentes nacionalidades, culturas, ideologias e credos, e que procura prolongar o raio e a duração do seu impacto social.
Jun 18
A Junta de Freguesia de Fornotelheiro, concelho de Celorico da Beira, confiou o desenho da sua identidade e da sua representação on-line à Nefasto.
O principal objectivo deste projecto passava por criar uma identidade que revitalizasse a imagem da freguesia, e que funcionasse como complemento do brasão e bandeira já existentes, divulgando assim de forma mais ampla, e por novos meios de comunicação, o nome da freguesia de Fornotelheiro.
O sítio assenta no conceito de portal informativo, disponibilizando, prontamente, na página inicial, não só a informação mais recente, mas também a informação de maior relevância. O conteúdo é mantido, a todo o momento, acessível e, acima de tudo, visível, sendo bastante intuitiva a navegação entre páginas.
Uma elucidativa lista de novidades é apresentada logo abaixo do menu, em todas as páginas, disponibilizando acesso rápido às últimas notícias, comentários e actualizações em páginas de conteúdo estático (páginas actualizadas pontualmente). Para além disso, há ainda um elo de ligação directa com o fórum de discussão, que garante uma constante renovação do conteúdo na página inicial, para além de assegurar a participação activa e comunitária dos visitantes. Para essa participação contribui também a grande abertura do sítio à voz do cidadão, nomeadamente na possibilidade conferida ao visitante de deixar comentários em todos os artigos publicados na página.
Outra opção da Nefasto foi a apresentação de conteúdo de relevo através da imagem, recorrendo para tal a um mecanismo animado que apresenta, sequencialmente, imagens contendo, para além do seu natural peso gráfico, informações e novidades importantes.
O projecto, apesar de aprovado, não se encontra ainda on-line.
Nov 02
Este trabalho desafia a dificuldade da procura constante de um sentido para a vida e foi produzido por alunos do Curso de Comunicação e Design Multimédia da ESEC. (in ESECtv)
A primeira produção assinada pela Nefasto foi uma curta-metragem, realizada em contexto académico, mas motivada inteiramente por interesses pessoais.
Decididos a contar uma pequena história apenas pela imagem, sem recorrer a qualquer tipo de contextualização ou diálogos, escrevemos um pequeno guião, para um filme de cerca de cinco minutos. O filme foi rodado ao longo de um mês, em Coimbra, Figueira da Foz e Mira, recorrendo a uma handycam e nenhum orçamento.
À altura da escrita do guião, não havíamos ainda escolhido a banda sonora que acompanharia a história. O lançamento do álbum In Rainbows, dos Radiohead, acabou por ser uma feliz coincidência.
O filme é baseado numa história pensada conjuntamente pelo colectivo, e que gira em torno de um personagem fictício, cuja obsessão pelo televisor oblitera a sua identidade. Eventualmente, deixa de ser perceptível onde acaba o homem e começa a televisão, e ambos co-existem finalmente num só corpo.
Subitamente, ameaçado por um problema de má recepção, o personagem parte em busca de sinal. Chegado ao final da linha, quase se deixa vencer pelo seu lado mais humano, mas à razão havia já dado lugar a emissão, e um homem nada pode contra o destino.
O filme foi transmitido na RTP 2, em Fevereiro de 2008, pela ESEC-TV, e integrou o programa da 15ª edição do festival Caminhos do Cinema Português, organizado pela Associação Académica de Coimbra, na secção não-competitiva.
Nov 02