dezassete | a bem da nação…

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Arquivo por Categoria | 'sociedade'

Uma boa percentagem dos designers gráficos e/ou multimédia em actividade em Portugal já o terá sentido por diversas vezes, mas não deixa de ser uma amarga novidade o olhar, parte reprovação, parte pena, de quem em má hora pergunta: então e você, faz o quê? Não se sente com tanta intensidade no litoral, por certo, mas, no interior do país, o designer está condenado, pelo menos por mais meia-dúzia de anos, à infeliz condição de profissional menor – talvez até nem profissional, uma espécie de técnico de composição gráfica semi-amador que, por algum motivo, se perdeu na heróica caminhada rumo à profissionalização nas nobres áreas da saúde, da engenharia ou, porque não, da arquitectura.

Acabo sempre por me arrepender, mas lá vou respondendo honestamente à pergunta. Hoje foi no consultório, para desilusão do médico, que se entusiasmava já quando lhe disse que tirava um mestrado em Coimbra – “Ai sim? Óptimo! Então e em quê?”. Era previsível que a reacção à minha resposta fosse um seco ah, seguido de um desviar do olhar e de conversa, e que acabasse comigo a desejar ter respondido qualquer coisa como engenharia bio-mecânica e macro-electro-técnica aplicada à medicina aeroespacial.

Depois de estar presente com muita honra nos festivais Caminhos do Cinema PortuguêsCurtas de Vila do Conde e de ter sido premiada no FEST, com o filme O Direito À Infelicidade, a Nefasto continua a sua, tão agradável como improvável e surpreendente, caminhada no circuito dos festivais de cinema portugueses.

A próxima paragem será na cidade do Fundão, no Imago Film Fest, incluídos na categoria “Under 25“, reservada, como o nome indica, a realizadores com menos de 25 anos provenientes de qualquer parte do mundo com filmes realizados com baixos orçamentos. O festival começa dia 26 de Setembro e prolonga-se até dia 6 de Outubro.

Posteriormente, seguiremos rumo para paragens mais a norte, mais propriamente para Espinho, para o conceituadíssimo Cinanima, no qual o nosso filme estará a concurso na categoria “Prémio Jovem Cineasta Português”. Este festival pode ser acompanhado de 9 a 15 de Novembro.

A Nefasto aconselha todos os que possam, a acompanhar ambos os festivais, não só para apoiar o nosso filme, mas principalmente para ver bom cinema, do melhor que se faz no mundo do cinema independente e que certamente não terão oportunidade de ver noutra altura.

Marca Continente

Marca Continente

Quando, há um par de anos, o Continente decidiu repensar o desenho da sua gama de produtos, lembro-me de pensar que tinha sido um passo em falso. Na altura, falei disto com alguns colegas, e a opinião generalizada parecia ser a de que algumas das embalagens não tinham sido devidamente pensadas, particularmente ao nível cromático. Se por um lado o Continente procurou normalizar o aspecto gráfico dos seus produtos, algo até então completamente esquecido pela multinacional, atribuindo-lhes um esquema de cores de acordo com a categoria a que pertence cada produto, por outro não havia como negar que uma garrafa de água com rótulo e tampa em tons de vermelho parecesse incrivelmente despropositado. Esse era um problema que, parecia-me, acabava por se sobrepor a todo o conceito da mudança, por muito válidos que fossem os motivos que a originaram – não raras vezes dei por mim a desviar o pacote do leite, acreditando tratar-se de vinho ou sumo, e a procurar a embalagem branca e azul ou verde (consoante magro ou meio-gordo)[1. Cores partilhadas, apesar de não necessariamente nesta ordem, por mais do que uma marca de leite, até há relativamente pouco tempo.] a que desde cedo me habituei.

Multitouch no OFFF 09

Apresentação dos Multitouch Barcelona no OFFF 09

Há pouco mais de dois meses falou-se, numa tertúlia informal no TAGV (Coimbra), da Internet nos nossos dias. Falou-se particularmente do fenómeno Twitter que, por suscitar sentimentos de pertença a esta ou aquela comunidade, geração ou ideia, acabou por dominar grande parte da discussão. Naturalmente, falávamos da Internet (particularmente da denominada 2.0) e não especificamente do Twitter, mas creio que isso nem sempre ficou claro, o que levou alguns dos presentes a associarem a minha opinião a uma certa carolice anti-Twitter.

Aproveito agora para trazer a discussão para aqui, e expor o meu ponto de vista a quem possa interessar. O argumento inicial será sempre este: por mais voltas que dê à cabeça, por mais informação que procure ou abertura de mente que tente ter, não consigo vislumbrar a chave do sucesso do Twitter. É claro que compreendo a força da novidade e da mobilização social, é claro que já li muita propaganda[1. Quase sempre disfarçada de entrevistas a Biz Stone.] e é claro que tenho consciência de que apenas uma insignificante percentagem dos assíduos utilizadores da Internet partilha desta opinião. Ainda assim, não consigo evitar sentir que há um desfasamento muito grande entre o verdadeiro potencial do Twitter, e os seus impactos social, cultural e económico[2. Se não imediato, a médio-longo prazo. Convém não esquecer, ainda assim, que há já empresas a lucrar com a rede social, vendendo seguidores (followers) a utilizadores à procura da sua audiência.].

Encontrar a definição exacta de design gráfico não é uma tarefa simples. Não por ser uma área particularmente difícil de delimitar, mas porque, durante largos anos, ninguém procurou fazê-lo com exactidão. Por vezes, nem mesmo o designer gráfico sabe ao certo qual a amplitude e a abrangência das suas competências. Barnard (2005, p. 10) confirma-o: «definições satisfatórias do que é o design gráfico são difíceis de encontrar», e reforça dizendo que «alguns dicionários ingleses nem sequer incluem as palavras “graphic design/er” e, quando o fazem, as definições não são, regra geral, de grande utilidade».

Essa ausência de referências acreditadas leva muitas vezes à procura de definições alternativas, e a melhor forma de introduzir qualquer tentativa de explicar o design gráfico talvez continue a ser a enunciação da célebre frase de Aaron Burns: «a comunicação ideal é de pessoa para pessoa. Tu vês-me, ouves-me, cheiras-me e tocas-me. A televisão é a segunda forma de comunicação; tu vês-me e ouves-me. A rádio é a seguinte; tu ouves-me, mas não me vês. E depois vem a comunicação impressa. Tu não me consegues ver nem ouvir e, portanto, deves ser capaz de interpretar o tipo de pessoa que eu sou pelo que está impresso no papel» (White, 2002). Obviamente, o design gráfico não se esgota num só suporte físico, mas, levado às últimas consequências, é disso que se trata – veicular um conceito, ideia ou opinião através do uso e organização de elementos gráficos. Ou, como articulado por Hollis (1994, p. 7), «o design gráfico é o ofício de criar ou escolher marcas e arranjá-las numa superfície para comunicar uma ideia».

Li recentemente na revista Blitz do mês de Junho, na coluna Observatório escrita pelo Gimba, uma crónica que me agarrou e me fez notar o quanto pertinente e transversal a inúmeras áreas ela conseguiu ser. Passo então a transcrever na íntegra o dito artigo denominado “Obesidade Musical”:

Apenas para que conste, este site oferece “logótipos para a web 2.0″. Grátis. Assim mesmo, sem contrapartidas, e com direito ao ficheiro original. De repente, isto já nem parece assim tão mau

E o pior é que, quem quer que seja responsável pelo site, acredita sinceramente estar a ajudar alguém, como faz questão de deixar bem claro na página About:

You can use all the logo design accessed from this website as inspirations, using it on your website or your project or even using them for your clients. You don’t have to spend big bucks anymore for designer, because this service is 100% free.

É já para a semana (26, 27 e 28 de Maio) a quarta edição do Encontro de Comunicação e Design Multimédia de Coimbra, organizado pelos alunos finalistas do curso homónimo da Escola Superior de Educação. A nefasto tem a sua quota parte na organização do evento, pelo que não podia deixar de sugerir uma visita. O site é este e o spot é isto:

De entre os oradores convidados, aproveito para destacar o jornalista Carlos Pinto Coelho (apresentador do saudoso Acontece, na rtp2), o designer de comunicação Nuno Coelho e o ilustrador Manuel Morgado.

E agora isto:

Porque pretendemos que a quarta edição do Encontro seja de partilha, interacção e convívio, há muito mais para lá do que está no programa! Discussão informal e directa entre participantes e oradores durante os coffee breaks, encontros informais dos participantes para um café e uma bebida, um jantar-conferência de encerramento e outros momentos espontâneos patrocinados pelo Encontro.