Encontrar a definição exacta de design gráfico não é uma tarefa simples. Não por ser uma área particularmente difícil de delimitar, mas porque, durante largos anos, ninguém procurou fazê-lo com exactidão. Por vezes, nem mesmo o designer gráfico sabe ao certo qual a amplitude e a abrangência das suas competências. Barnard (2005, p. 10) confirma-o: «definições satisfatórias do que é o design gráfico são difíceis de encontrar», e reforça dizendo que «alguns dicionários ingleses nem sequer incluem as palavras “graphic design/er” e, quando o fazem, as definições não são, regra geral, de grande utilidade».
Essa ausência de referências acreditadas leva muitas vezes à procura de definições alternativas, e a melhor forma de introduzir qualquer tentativa de explicar o design gráfico talvez continue a ser a enunciação da célebre frase de Aaron Burns: «a comunicação ideal é de pessoa para pessoa. Tu vês-me, ouves-me, cheiras-me e tocas-me. A televisão é a segunda forma de comunicação; tu vês-me e ouves-me. A rádio é a seguinte; tu ouves-me, mas não me vês. E depois vem a comunicação impressa. Tu não me consegues ver nem ouvir e, portanto, deves ser capaz de interpretar o tipo de pessoa que eu sou pelo que está impresso no papel» (White, 2002). Obviamente, o design gráfico não se esgota num só suporte físico, mas, levado às últimas consequências, é disso que se trata – veicular um conceito, ideia ou opinião através do uso e organização de elementos gráficos. Ou, como articulado por Hollis (1994, p. 7), «o design gráfico é o ofício de criar ou escolher marcas e arranjá-las numa superfície para comunicar uma ideia».
Jul 17
O Encontro de Comunicação e Design Multimédia de Coimbra é um evento anual, organizado por alunos finalistas da licenciatura em Comunicação e Design Multimédia da Escola Superior de Educação de Coimbra, cujo objectivo é criar um espaço de partilha entre profissionais e estudantes da área, não esquecendo todos aqueles que possuem um interesse não-profissional mas, ainda assim, muito vincado pela mesma.
O Encontro ocupa, todos os anos, entre 2 a 4 dias, e é composto por uma série de painéis de conferências e workshops, distribuídos por vários espaços no interior da Escola Superior de Educação de Coimbra. Paralelamente, são habitualmente organizados eventos de interesse público, inseridos no âmbito do Encontro, como sendo exposições, convívios, sessões de cinema, entre outros.
O colectivo Nefasto participou activamente na organização da sua quarta edição, em Maio de 2009, concebendo não só a sua identidade e materiais de divulgação, como a página Web e conteúdos multimédia para difusão nos meios de comunicação social.
Jun 18
A Nefasto trabalhou directamente com o Núcleo de Relações Internacionais da Escola Superior de Educação de Coimbra, na organização da sexta edição da já bem estabelecida Semana Internacional da ESEC (International Week of ESEC). Através do planeamento e concepção de uma campanha de divulgação sólida e transversal, apostada na aproximação conceptual das comunicações impressa e audiovisual, a Nefasto contribuiu para a afirmação do evento como um marco na agenda cultural da cidade, que anualmente liga Coimbra à comunidade académica e científica europeia.
Com o mote dado pelo Ano Europeu da Criatividade e Inovação, o evento estendeu-se por cinco dias de conferências, workshops e exposições, devidamente documentados num catálogo de 176 páginas desenhado pela Nefasto, que representou o culminar de um trabalho de identificação gráfica que envolveu o desenho de toda a campanha impressa e multimédia.
A edição de 2009 da Semana Internacional da ESEC deixou a sua marca na história do evento e da Escola, e representou um claro ponto de viragem relativamente às edições anteriores. Desde logo pela dimensão e pelo impacto causado, mas também pela forma como encarou a difusão social do evento e, de um modo geral, a comunicação com o seu público-alvo.
Nesse sentido, o trabalho de consultoria e produção gráfica constituiu um importante contributo para a afirmação da Semana Internacional como um evento sério e actual, cada vez mais centrado na abertura da instituição a diferentes nacionalidades, culturas, ideologias e credos, e que procura prolongar o raio e a duração do seu impacto social.
Jun 18
Apenas para que conste, este site oferece “logótipos para a web 2.0″. Grátis. Assim mesmo, sem contrapartidas, e com direito ao ficheiro original. De repente, isto já nem parece assim tão mau
E o pior é que, quem quer que seja responsável pelo site, acredita sinceramente estar a ajudar alguém, como faz questão de deixar bem claro na página About:
You can use all the logo design accessed from this website as inspirations, using it on your website or your project or even using them for your clients. You don’t have to spend big bucks anymore for designer, because this service is 100% free.
Jun 12
É já para a semana (26, 27 e 28 de Maio) a quarta edição do Encontro de Comunicação e Design Multimédia de Coimbra, organizado pelos alunos finalistas do curso homónimo da Escola Superior de Educação. A nefasto tem a sua quota parte na organização do evento, pelo que não podia deixar de sugerir uma visita. O site é este e o spot é isto:
De entre os oradores convidados, aproveito para destacar o jornalista Carlos Pinto Coelho (apresentador do saudoso Acontece, na rtp2), o designer de comunicação Nuno Coelho e o ilustrador Manuel Morgado.
E agora isto:
Porque pretendemos que a quarta edição do Encontro seja de partilha, interacção e convívio, há muito mais para lá do que está no programa! Discussão informal e directa entre participantes e oradores durante os coffee breaks, encontros informais dos participantes para um café e uma bebida, um jantar-conferência de encerramento e outros momentos espontâneos patrocinados pelo Encontro.
Mai 18
A introdução dos cursos superiores de design do ensino público em Portugal, aconteceu em 1975/76 na então Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL). Após cinco anos, foram lançados no mercado de trabalho os primeiros profissionais licenciados em Portugal. Desde então e até à data, os estabelecimentos de ensino superior que facultam formação em design proliferaram, estimando-se que existam cerca de dez mil indivíduos formados ao longo destes 28 anos.
Pelo atrás descrito, seria lícito supor que os designers tivessem reflectido e analisado exaustivamente os condicionalismos próprios da sua actividade. Desse trabalho, aprofundado e discutido, era suposto ter sido encontrado o espírito ético e as condutas deontológicas que consolidassem a existência de uma consciência de classe e uma afirmação da relevância do design no contexto político, social e económico do país. No entanto, o que se constata após cerca de três décadas é que os designers possuem uma mão cheia de nada.
Abr 18
Começou com uma notícia talvez não directamente relacionada com o assunto, que relatava o modo como (esse incompreensível fenómeno que é) o Twitter pagou pouco mais de quatro euros pelo pequeno pássaro ostentado na página inicial do serviço, que entretanto se transformou num ícone cultural reproduzido à escala mundial (não sendo um caso isolado, no que diz respeito a símbolos usados pelo Twitter), e uma das principais imagens de marca do site. O preço irrisório pago pela imagem resulta do facto de esta ter sido adquirida através do iStockPhoto, um site de venda e compra de direitos de uso sobre imagens ditas de stock (imagens de livre utilização pela comunidade, gratuitamente ou mediante o pagamento de uma pequena taxa).
Surpreendentemente, não é raro encontrar empresas que confiam plenamente a sua imagem de marca a ícones adquiridos através de serviços semelhantes, cortando com os custos associados à criação de uma identidade (s.f. conjunto de elementos que permitem saber quem uma pessoa é) – o que, convenhamos, levanta um considerável número de sérias questões, sobre as quais prefiro não me debruçar para já.
Tudo isto me levou, na verdade, a pensar um pouco sobre um curioso fenómeno, muito frequente no seio do design gráfico em geral, mas com maior incidência no design de identidade e no webdesign, que dá pelo nome de crowdsourcing (também conhecido por trabalho especulativo), e que consiste na atribuição de uma dinâmica de concurso ao processo criativo, dando ao cliente a possibilidade de apresentar o seu projecto perante um grupo de designers independentes, espalhados pelo globo, que podem ou não optar por iniciar o trabalho, paralelamente com os restantes membros da comunidade. Os designers que aceitam o desafio competem então entre si, apresentando publicamente a sua proposta e, após a data limite definida pelo cliente, este escolhe aquela que melhor se adequa às suas necessidades. Caso mais de 25 propostas diferentes sejam apresentadas, o cliente é obrigado a escolher uma, mesmo não estando totalmente satisfeito.
Mar 31
O autor de um estudo sobre soluções gráficas adoptadas, em 110.000 primeiras páginas, por três diários do Porto, admitiu hoje que os designers de jornal são mal amados nas redacções, alegadamente por sacrificarem conteúdos em favor da estética.
Não quero entrar na lamechice, mas a verdade é que os designers que trabalham em Portugal são cada vez mais maltratados
Dá que pensar, e vale definitivamente a pena ler.
Mar 02