dezassete | a bem da nação…

dezassete | a bem da nação…

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Não querendo transpor para aqui os conflitos que há alguns anos arrasto com a PT (e que, naturalmente, tenho perdido sucessivamente), não consigo conter o seguinte desabafo:

No mais recente anúncio televisivo da TMN, é apresentado o seu novo serviço para empresas, incluído no plano Office Box, que, alegadamente, facilita a entrada destas no mundo virtual, permitindo que qualquer empresário, independentemente da dimensão e capital da sua empresa, possa finalmente atirar-se de cabeça à criação de uma página web à sua altura.

Essa presença é concebida pelo próprio, ou alguém por ele nomeado, recorrendo unicamente às ferramentas que a TMN gentilmente cede, o que certamente agradará a muito boa gente – ainda que esse serviço apenas seja novidade para os cinco habitantes da África subsariana a quem ainda ninguém tentou vender kits de Internet sem fios com oferta do valor do modem em suaves retornos mensais de 74 cêntimos no saldo do telemóvel. Ora, talvez seja apenas o ódio profundo que nutro por empresas sem coração a falar, mas o facto de a Portugal Telecom expressar a vontade de alargar o seu raio de exploração ainda mais, quando não consegue gerir minimamente os serviços que já oferece (falo com conhecimento de causa), irrita-me de tantas e tão variadas formas, que poderia facilmente perder uma semana de vida a articular-lhes um discurso bem regado de éfes e érres (principalmente éfes!).

Quanto a isso, claro está, nada há a fazer e, havendo, nada seria feito. Mas o anúncio consegue ser deveras insolente, e termina do seguinte modo:

[...] mas, escolha o que escolher, se o seu negócio não estiver na net, é como se não existisse.

Concordo, mas acrescento: se o seu negócio estiver na net, alojado pela TMN, é muito pior do que se não existisse.

Há dias assim. Estou neste preciso momento enfiado num autocarro, a cerca de três horas do destino, e atrás de mim seguem dois seres munidos de um computador portátil difundindo, a um volume considerável, uma espécie de ruído ao qual apenas não chamo estrume sonoro por respeito às propriedades fertilizantes do adubo.

Só lamento a existência de baterias com tamanha longevidade, e de cérebros com tão pouca.

$17 000 000 000

(Dinheiro gasto anualmente na Europa e nos Estados Unidos em comida para animais)

$12 000 000 000

(Cuidados de saúde e nutrição básicos para o mundo inteiro)
 

$12 000 000 000

(Dinheiro gasto anualmente em perfumes, no mundo inteiro)

$9 000 000 000

(Custo estimado para o fornecimento de água potável para o mundo inteiro)
 

$8 000 000 000

(Dinheiro gasto anualmente em produtos cosméticos nos Estados Unidos)

$6 000 000 000

(Educação básica para todas as crianças do mundo)
 

$450 000 000 000

(Dinheiro gasto anualmente no Natal, nos Estados Unidos)

$450 000 000 000

(Dezasseis anos de comida, água e educação para o mundo inteiro)

Está aí o natal…

natal hipócritaInstalou-se já em todo o lado. E deixou um bocadinho de si espalhado por aí. Luzinhas na rua, no shopping, estrelinhas e flocos de neve nas montras, brinquedos e mais brinquedos nos supermercados, anúncios a ocuparem os gigantes intervalos entre as novelas, novelas que mostram já as casas enfeitadas com as árvores e os presépios e as prendas e as meias, o telejornal a mostrar a maior árvore daqui e dalém.

Tão lindo que é o natal! Tanto brilho… Enche-vos a alma, bem sei.

De hipocrisia, de falsidade, de créditos e de dividas.

“Com a aproximação do natal…”, dizem nos telejornais…

Ah mas é o natal! E agora já há descontos e tudo, “se calhar é melhor comprarmos já para o próximo ano”, se calhar para o ano não há promoções…

Ai tantos mendigos, tantas crianças em orfanatos, tantas barracas em Lisboa, tanta gente a passar frio e fome… “Coitadinhos…!”

Às tantas só os há no natal, querem ver?!

A esmola na igreja, que precisa tanto, cresce nesta altura do ano, para continuar a ser abençoada… Qual dar abrigo, qual ajudar os pobres, qual dar de comer a quem não tem? O que interessa é pagar ao padre que deus, se vir, vai gostar muito!

Viva a Hipocrisia! Viva! Hurra!

F…ico deprimida…

God!!!

Estou desde de manhã chocada com a noticia!
Saí eu de casa às 9h da manhã, para ir para as aulas, e sou, precisamente, surpreendida com a seguinte noticia a passar na rádio:

A primeira lingerie com GPS é lançada no país pela empresa mineira Lindelucy, durante a feira Só Para Mulheres, com o slogan “Ache-me se for capaz”. O conjunto possui um localizador que permite aos parceiros de aventuras localiza-las com base nas coordenadas de latitude, longitude e altitude.

Fui o caminho todo a dizer para mim mesma: “O que é isto? Em que mundo vivemos?”
Second Life? Big Brother?
“Ache-me se for capaz”?????
Não consigo perceber! A sério que não…

(Desabafo…)

Um homem, dono de um bar com nome de homem, falava-me no outro dia de como a sua geração foi em tudo superior à actual, na qual julgo, até certo ponto, estar incluído. Dizia-me de como, nos idos tempos em que fora jovem, não havia escolha nem fartura, e que cada um se virava para onde podia (invariavelmente, haveriam de se dar bem).

Não o nego, nem pretendo sequer discutir qualquer uma das suas afirmações. Mas ouvir o homem falar, no seu tom acusador, sobre como as actuais gerações têm de tudo a mais, causou-me uma certa comichão. Talvez por perceber claramente que o homem ignorava que qualquer geração é o reflexo da anterior (é até, por vezes, um sub-produto dela). Se esta geração tem a mais de tudo, e ainda carrega orgulhosa a infeliz bandeira da rebeldia, é a anterior que devemos culpar, por colocar nas mãos de uma criança inconsciente produtos de uma sociedade consumista e capitalista, que os compatriotas do seu tempo heroicamente construíram para nós.

Nada disto disse ao homem, e aceitei a superioridade dos do seu tempo, pensando, para mim, que a geração anterior havia feito um belíssimo trabalho.

Ei-la, a Geração Rebelde!

Ora bem, tendo em conta a “way” dos jovens adolescentes dos nossos tempos e brincando, também, com o “próspero abuso da psicologia”, tenho a dizer que, se até agora se notou um exponencial aumento de miúdos “hiperactivos”, ou, conforme a personagem da série líder de audiências com a qual mais se identificavam, “depressivos”, com a concorrência “rebelde way” a chegar vamos ter que começar a contabilizar a quantidade de miúdos “esquizofrénicos” e “bipolares”, também… Com tanta informação a entrar-lhes pelo cérebro adentro ao mesmo tempo…

É, de facto, assustador!!! Não??