A pergunta é: “O que estás a pensar?”
Cada vez que abro o facebook, uma rede social onde ‘existo’, deparo-me com uma lista de eventos, convites, aplicações, notificações, etc. E cansei-me disso!
Por esta altura, faz-se o clique na primeira notificação, e, se para minha solitária felicidade me propusesse a passar duas horas só aqui, era perfeitamente plausível que conseguisse, mas sem me esticar muito (como quem diz, ‘bora despachar isto que tenho de ir ver o twitter ou assim’); Primeiro, aceitar convites de amizade, rejeitar convites de amizade, abrir o perfil da tal de Maria para tentar perceber quem é, sendo que pela lateral do nariz e meio olho direito existentes na foto de perfil, errr, não atinjo – adiante – bloquear pela enésima vez o tal de farmville – meus caros, tenho um terreno na aldeia de onde venho, que gentilmente vos cedo para sujarem as mãos (também há sacholas [desculpem o vocabulário específico]) – todas as outras do tipo café world e afins vou-me abster de comentários sendo o a afirmação de abstenção de comentários a própria excepção à abstenção! – Agora vêm as causas e quiz’s super engraçados e tal, mas o limite que vos prometi foram duas horas, tenho de me conter. X em sítio Y no dia Z, Hum… um concerto… música boa… mas este [VOU][NÃO VOU][TALVEZ] vale a pena dizer que sim? Efeito bola de neve? Se ha um concerto bom, eu ligo aos meus amigos e digo para irmos, quem quer vai e os meus amigos fazem o mesmo por mim – transmissão de informação cultural[1. “olha manda-me uma galinha que eu mando-te um pato" – espécie de conversa entre dois seres à qual infelizmente assisti, acerca do fenómeno farmville. E lá ficaram naquilo num sábado à noite e havia concerto rock lá na terra.] – e melhor, posso seleccionar a companhia, (não vá querer eu uma noite a dois e, possa, pus no facebook que ia a tal concerto e a malta do forrobodó deu com aquilo e olha, até aparecem… Lá se foi a noite a dois! Pumba!!
A pergunta é: “O que estás a pensar?”
E que me interessa uma ‘notificação’ do pensamento de alguém que talvez com sorte eu conheça? Não é retórica, eu repondo: Absolutamente Nada
ñ E k ixto tb tm xat? E na minha lista de 60 amiguinhos do facebook tenho 9 pessoas online, UÁU! Não fosse hoje véspera de feriado, aliás, já é feriado à quase 2 horas e tenho estes 9 amigos à frente do computador, e esperem, verifico e, sim já recebi convites de farmville de todos eles! – Claro mas ó Dinis, tu também estás à frente do computador numa véspera de feriado e tal… – Mas estive de cama com gripe e para infelicidade minha fico em casa. Falta justificada, dou uma espreita à demencio-dependência que as redes sociais causam nas pessoas – eu até acho que o quem se lembrou de reunir os nossos contactos online, acessíveis em qualquer parte do mundo, tenha tido uma boa ideia – e tomo-as como um serviço para o utilizador, não o oposto de andar a trabalhar como agricultor ou padeira dentro de uma rede social.
A pergunta é: “O que estás a pensar?”
Vivo, sou gente e existo sem as redes sociais – e, caso o telemóvel não tivesse sido inventado eu vivia bem sem ele. “Sempre encontrei os meus amigos na rua a esmurrar os joelhos, ou a construir cabanas” (não me lembro de onde li mas assenta bem aqui).
Dez 08
Este artigo foi publicado Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009, às 3:26, na categoria cultura, sociedade. Podes acompanhar as respostas a este artigo através do respectivo RSS 2.0. Podes deixar um comentário, ou fazer um trackback a partir do teu próprio site.
1 Comentário O Facebook e o Farmville
Inês Dias
25 de Março, 2010 at 13:54
1Nem 8 nem 80.
Uma das mil situações que pode dar jeito: existe gente que tem um trabalho chato, ou porque quis, ou porque calhou ou porque não tem outra hipótese. Nesses casos, melhor que estar entediado a pensar na morte da bezerra, pensa-se nas vacas que se consegue criar e na apanha do tomate, mesmo sentados numa secretária. Se isso faz as pessoas felizes, não me parece mal. Mesmo que não participe nessa festividade de agricultura virtual.
De facto, o facebook se usado em conta e medida poderá nos ser útil, que vão para além das questões básicas de encontrar aquele amigo “que-não-vemos-há-não-sei-quanto-tempo” e que fazemos uma festa (através do uso de vários pontos de interrogação porque afinal não somos assim tão amigos e faltam-nos palavras com piada), de facto mudou a forma de comunicarmos uns com os outros. Faço parte de uma comunidade dançante, ainda que pequena, ela vai crescendo consoante as nossas iniciativas mais ou menos individuais e dessa forma vamos criando e divulgando. Acho muito mais simpático que sermos entupidos de e-mail com anexos em .pdf, sermos notificados de um novo evento através desta aplicação. Se o tema interessar, vamos saber mais, se não descartamos. Simples.
Outro exemplo útil, faço parte de uma família numerosa, estamos mais ou menos espalhados esse mundo fora, e desta forma vamos trocando fotos e comentários mimosos. Acho que nos faz sentirmos mais próximos, tendo em conta que há uns 10 anos o contacto era por carta, escrito à mão e selo colado com cuspo, estando dependentes (por vezes) da boa vontade dos correios e do carteiro.
Ainda outro exemplo, numa cidade fria e impessoal, como o é a cidade de Lisboa, onde não encontramos amigos pelo café ou pela rua, onde não há a espontaneidade de marcamos um encontro que não seja (pelo menos) com uma semana de antecedência, visto que há uma data de variáveis inúteis que estão fora do nosso controlo, o facebook serve o seu propósito na medida em que nos facilita a vida quando queremos combinar uma qualquer festa – convidamos toda a gente e quem aparece é bem-vindo.
Assim, as novidades (sejam elas tecnológicas ou não) só têm de ser utilizadas em conta e medida, e mesmo que haja muita possibilidade inúteis, cabe-nos a nós decidirmos se as queremos utilizar ou não e de que maneira, fazendo valer o nosso pensamento crítico associada à sua utilidade prática.
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