Como viciado incorrigível que sou em banda desenhada, dei por mim há pouco tempo a pegar pela milionésima vez no livro “V For Vendetta”, desde que o comprei há 4 anos atrás… É realmente uma obra soberba em muitos níveis e nunca me canso de o ler ou de o recomendar vezes sem conta aos meus amigos.
Mas não foi a sua qualidade que me despertou novo interesse (porque essa já estava mais que cimentada), mas sim uma parte do livro, já depois da história toda ter acabado, em que os editores tiveram a deliciosa ideia de partilhar connosco, meros mortais e leigos na matéria, algumas páginas compostas por um artigo escrito pelo próprio argumentista da série, Alan Moore, que apareceu na Warrior Magazine #17, enquanto os capítulos da história ainda eram publicados regularmente, em 1983. Este artigo conta, entre outras coisas, o processo criativo e a troca de ideias entre argumentista e artista gráfico até chegar à “criatura” final que é a persona conhecida por “V”.
Jan 27
Bem, para quem conhece os nossos trabalhos de perto (o meu falecido gato e pouco mais), sabe que sofremos de uma tendência mais que evidente para desenhar ou bocas, ou olhos! Não nos perguntem porquê! Aqui ficam alguns trabalhos de ilustração que fizemos para a Nefasto!
Abraço!
Jan 24
Uma vez mais, levou-me tudo, o vento…
Senti-me ser arrancada do chão, ser esbofeteada a cada três passos, cegada a cada seis. Chorei o caminho todo, sem perceber porquê. Não queria perceber, interessava-me chegar, por isso aguentei todos os solavancos que o meu corpo deu frágil.
E cheguei, pousei-me atrás da porta antes de te encontrar, não queria ver-me rasgada do caminho árduo. Segui até ti e o meu coração bateu outra vez. Foi bom encontrar-te onde esperava. Deitei-me sobre o teu peito e ele batia também. Abracei-te!
O vento tinha parado um bocadinho para descansar, não o sentimos durante minutos. Mas a vida não é fácil e sem trabalho não há coroas.
Viva D. Pedro I, que furioso de não te ter, Inês, me leva, a mim, a alma…
Chegassem as minhas lágrimas a Coimbra, correria o Mondego ao contrário!
Jan 19
Há dias assim. Estou neste preciso momento enfiado num autocarro, a cerca de três horas do destino, e atrás de mim seguem dois seres munidos de um computador portátil difundindo, a um volume considerável, uma espécie de ruído ao qual apenas não chamo estrume sonoro por respeito às propriedades fertilizantes do adubo.
Só lamento a existência de baterias com tamanha longevidade, e de cérebros com tão pouca.
Jan 16
O Direito à Infelicidade é uma curta-metragem de animação da autoria do colectivo Nefasto, a partir de uma obra original do ilustrador português José Carlos Fernandes, realizada com recurso a uma técnica mista de sombras chinesas e stop motion animation.
Tendo como ponto de partida a difícil aceitação, no mundo desenvolvido, da infelicidade e inadequação, O Direito à Infelicidade hiperboliza a cada vez mais real e crescente sobre-medicação de indivíduos afectados pelo grande flagelo da nostalgia, da saudade, e da vontade de não sorrir.
Jan 16
A experiência não é novidade para uma boa percentagem da população portuguesa, mas também nós ficámos, ontem, presos na neve. Constou-me que não foram poucos os contemplados, se é que mais alguém retirou algum prazer disso. Para nós a experiência foi, para além de uma natural e inesperada fuga à rotina (que isto da cidade neve já não é bem o que era), hilariante.
Salvo as excepções daqueles cuja necessidade ditava que não pudessem ficar detidos na espécie de trânsito atabalhoado que se ia formando, acho imensa piada ao conceito da natureza forçar cidades inteiras a quebrar o ritual diário, a abandonar os automóveis e a seguir o resto do percurso a pé, apesar da intempérie. Há algo de poético nisso.
Acrescido a isso, sou forçado a concordar com os vários grupos de pessoas que se iam formando nas varandas dos prédios, entretidos pela quase total falta de controlo que as pessoas detinham sobre os seus próprios carros. Não tendo havido qualquer acidente, achei hilariante os despistes consecutivos do nosso próprio carro, e dos que a ele se sucederam. Obviamente, fizemos os possíveis para ajudar à circulação daqueles para quem a passagem era uma prioridade máxima, mas não perdemos o sentido de humor. Felizmente.
Hoje tudo volta à normalidade, e só lamento pelos que se exaltaram desnecessariamente – claramente, perderam há muito o prazer de viver.
Jan 10
A alguns quilómetros já, o telefone toca.
Consigo ouvir algumas das muitas palavras que disse:
- “…tenho de ir… trabalho… agora… (para mais longe!) ”
E foi…
É assim que nos deixam existir…
Jan 03
Antes de mais, feliz ano novo! Gostaria de inaugurar 2009 partilhando uma pequena intervenção que a Nefasto levou, silenciosamente, a cabo, alguns meses antes da inauguração do seu sítio web, e que consistiu na aplicação, em zonas estratégicas da cidade de Coimbra, de um pequeno autocolante que, colado à caixa do botão para os peões, transforma o mais corriqueiro dos semáforos num futurista e altamente inovador aparelho de tele-transporte. Até agora, o único problema encontrado prende-se com o facto de o aparelho ser altamente vulnerável à chuva… Enfim, é o que se consegue arranjar.
Jan 03