dezassete | a bem da nação…

dezassete | a bem da nação…

Arquivo Mensal | Dezembro de 2008

Eis o resultado quase final do último desafio que propusemos a nós próprios… Adaptar uma história original do José Carlos Fernandes (”O Direito à Infelicidade”) para animação, usando sombras chinesas e alguns (pouquinhos) retoques digitais. Foi bem mais difícil do que inicialmente imaginámos, mas a experiência foi muito enriquecedora. Só nos resta esperar que o resultado não faça ninguém sangrar espontaneamente dos olhos. Obrigado!

$17 000 000 000

(Dinheiro gasto anualmente na Europa e nos Estados Unidos em comida para animais)

$12 000 000 000

(Cuidados de saúde e nutrição básicos para o mundo inteiro)
 

$12 000 000 000

(Dinheiro gasto anualmente em perfumes, no mundo inteiro)

$9 000 000 000

(Custo estimado para o fornecimento de água potável para o mundo inteiro)
 

$8 000 000 000

(Dinheiro gasto anualmente em produtos cosméticos nos Estados Unidos)

$6 000 000 000

(Educação básica para todas as crianças do mundo)
 

$450 000 000 000

(Dinheiro gasto anualmente no Natal, nos Estados Unidos)

$450 000 000 000

(Dezasseis anos de comida, água e educação para o mundo inteiro)

A bem dizer, a Nefasto odeia o natal, por motivos com os quais não tencionamos perder o vosso tempo. No entanto, e se tiver mesmo de ser, desejamos a todos um bom e não necessariamente feliz dia 25 de Dezembro, natalício ou não. Esse desejo estende-se aos restantes 364 dias até ao próximo (e asfixiante) natal. Obrigado pela companhia…

Natal

Tu disseste:
agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca

Eu disse:
eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede

Tu disseste:
e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?

Eu disse:
não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada

Tu disseste:
e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês

Eu disse:
o que é que isso interessa?

Tu disseste:
…nada.

- Tu Disseste, Mão Morta

Em parte para justificar a falta de tempo, vontade ou criatividade por que tenho passado ultimamente, no que à escrita diz respeito, deixo um pequeno excerto de um livro que não consegui acabar (pensando bem, mal comecei), e que a Nefasto tentou aproveitar para uma curta-metragem, coisa que também não correu da melhor forma.

Não lhe imaginando outra finalidade, cá vão os primeiros parágrafos do segundo capítulo…

LER TEXTO »

Venho aqui buscar as asas
Dos meus sonhos de menino
Neste chão e nestas casas
Foi crescendo o meu destino

Depois, parti p’ra longe, sem saber
Que aqui ficava muito do meu ser

[...]

Ver no rosto desta gente
Espelhar-se a minha infância
É como se eu, de repente
Fosse de novo criança

Se alguém quer desprezar sua raíz
É porque se esqueceu que foi feliz

- Pode Ser Saudade, Jorge Fernando

Falando para uma comunidade próxima, e atenta, gostava de salientar algo que, por defeito, nos atinge a todos nós, interessados e realmente apaixonados pelo que fazemos.

Estamos no fim da jornada académica, que o ensino sup(inf)erior do sector público tem para nos oferecer. Daria pano para mangas falar e queixar-me de professores, instituições, métodos, matérias, disciplinas, ou falta delas.

Quero antes, e com isto, tirar o tapete debaixo dos pés de muita gente, falar dos futuros “profissionais” de design que vi de perto e acompanhei por vezes. Talvez pareça voltar a espada para o lado contrário, mas os importantes, sentirão a mesma indignação que eu.

Será fácil falar de algo que nos irrita e constrange mas que, principalmente, fica bem dizer, porque estamos na situação morna do queixume fácil. Mas será que o designer se constrói como tábua rasa onde tudo assenta? Espera-se de um curso a solução milagrosa para o sucesso?