Um homem, dono de um bar com nome de homem, falava-me no outro dia de como a sua geração foi em tudo superior à actual, na qual julgo, até certo ponto, estar incluído. Dizia-me de como, nos idos tempos em que fora jovem, não havia escolha nem fartura, e que cada um se virava para onde podia (invariavelmente, haveriam de se dar bem).
Não o nego, nem pretendo sequer discutir qualquer uma das suas afirmações. Mas ouvir o homem falar, no seu tom acusador, sobre como as actuais gerações têm de tudo a mais, causou-me uma certa comichão. Talvez por perceber claramente que o homem ignorava que qualquer geração é o reflexo da anterior (é até, por vezes, um sub-produto dela). Se esta geração tem a mais de tudo, e ainda carrega orgulhosa a infeliz bandeira da rebeldia, é a anterior que devemos culpar, por colocar nas mãos de uma criança inconsciente produtos de uma sociedade consumista e capitalista, que os compatriotas do seu tempo heroicamente construíram para nós.
Nada disto disse ao homem, e aceitei a superioridade dos do seu tempo, pensando, para mim, que a geração anterior havia feito um belíssimo trabalho.
Set 15
Este artigo foi publicado Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008, às 21:18, na categoria Crítica. Podes acompanhar as respostas a este artigo através do respectivo RSS 2.0. Podes deixar um comentário, ou fazer um trackback a partir do teu próprio site.
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