Ocorreu-me, durante um reencontro com esse clássico de arcada da minha infância, que jogar Puzzle Bobble com regularidade é uma excelente prática para qualquer designer gráfico, por exercitar, ainda que de forma inconsciente, preciosas faculdades visuais ligadas ao alinhamento óptico. É pouco provável que algum dia venha a fazer parte do programa de uma cadeira de design, mas pensar nisso sempre ajuda a aliviar o sentimento de culpa.
Abr 10
Tal como no artigo que escrevi aqui no blog da Nefasto há uns meses, este artigo que escrevo agora foi motivado por algo que li no suplemento Ípsilon, do Público.
Basicamente, tudo começou com uma entrevista de António Pedro Vasconcelos acerca do seu mais recente filme “A Bela e o Paparazzo”. Em resposta a esta, na semana seguinte e no mesmo suplemento, o crítico de cinema Vasco Câmara depois de ter visto o filme e de ter lido essa entrevista, decidiu dar a sua opinião não só na forma de estrelas (neste caso mais na forma de bola…), mas também com uma crónica.
Mais uma semana passada e António Pedro Vasconcelos, claramente afectado pela acidez das críticas, decide escrever no mesmo espaço onde Vasco Câmara se expressou uma reacção ao que leu na semana anterior.
A primeira impressão que fica é que isto não passa de uma guerra de palavras mesquinha entre um crítico amargo e um realizador ofendido, mas ao ler com atenção os três artigos transparece algo mais. Por baixo desta camada egoísta e superficial estão questões que ambos tocaram e que, na minha humilde opinião, são relevantes para todos os que se interessam por cinema. Por isso, e mesmo sabendo que a minha visão vale tanto como qualquer outra, decidi também meter a colher nesta sopa de letras que já começa a azedar.
Fev 18
Há já algum tempo atrás falei aqui do fenómeno do trabalho especulativo. Na altura usei como exemplo o crowdSPRING, uma espécie de mercado de marcas, no qual se vendem logótipos anexados a nomes de empresas que não existem, mas que o comprador pode registar após a aquisição do referido logo. Não querendo insistir demasiado nisso, digamos que é um local onde designers gráficos podem libertar toda a sua criatividade e direccionarem o seu espírito inovador para a criação de logótipos para empresas fictícias para as quais inventam um qualquer nome, na esperança de que alguém veja nisso uma excelente oportunidade de começar um negócio. Esse problema, no entanto, está há muito visto e debatido – adiante…
Hoje cruzei-me, numa rotineira passagem por um desses sítios que condensam o melhor do design gráfico actual com o intuito de atrair visitantes e, por consequência, gerar algum lucro, com alguns logótipos desenhados para um site semelhante chamado BrandStack (creio que anteriormente conhecido como IncSpring) e apercebi-me da distorção extrema do conceito de design inteligente que resulta deste tipo de serviços. Alguns dos logótipos desenhados para este e outros sítios semelhantes correram a Internet, sendo indiscriminadamente chapados em blogs e design showcases como exemplos de superioridade criativa na área do desenho de identidade. Confesso que, de início, e acreditando tratarem-se de soluções para problemas reais, reconheci valor em alguns desses logos – o da Piano Forest e o da Horror Films são alguns dos que melhor me recordo.
Jan 21
O Direito à Infelicidade é uma curta-metragem de animação da autoria do colectivo Nefasto, a partir de uma obra original do ilustrador português José Carlos Fernandes, realizada com recurso a uma técnica mista de sombras chinesas e stop motion animation.
Tendo como ponto de partida a difícil aceitação, no mundo desenvolvido, da infelicidade e inadequação, O Direito à Infelicidade hiperboliza a cada vez mais real e crescente sobre-medicação de indivíduos afectados pelo grande flagelo da nostalgia, da saudade, e da vontade de não sorrir.
José Carlos Fernandes é um autor de banda desenhada português. Começou por se fazer notar no meio alternativo dos fanzines português, para além da coerência gráfica do seu trabalho, JCF demonstrava uma extraordinária propensão para a produtividade, que se veio a traduzir em inúmeras pranchas e ilustrações publicadas em diversas publicações alternativas de BD que surgiram na década de noventa.
Costuma ser apontado, com toda a justiça, como o mais importante autor de Banda Desenhada português. O seu imaginário fantástico, apoiado numa superlativa qualidade de escrita, permitiu-lhe assinar ao longo dos anos várias obras magníficas, como os seis volumes da série “A Pior Banda do Mundo” ou A última obra-prima de Aaron Slobodj (2004) – ela própria, em nosso entender, uma obra-prima.
Bibliotecário de Babel
Participações em Festivais de Cinema
Algumas fotos do processo estão disponíveis aqui.
Jan 10
Travessia é uma curta-metragem do colectivo Nefasto, elaborada a partir de um texto de José Mário Branco, extraído do seu sobejamente conhecido FMI. Um homem aproxima-se dos 60 anos e, tomando consciência da distância que o separa da sua juventude, deixa tudo para trás e faz uma viagem de regresso às origens. No final da travessia, reencontra mais do que as memórias…
Mãe, eu quero ficar sozinho…
Mãe, não quero pensar mais…
Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora,
sem sequer ter que me ir embora.Mãe, por favor,
tudo menos a casa em vez de mim,
outro maldito que não sou
senão este tempo que decorre
entre fugir de me encontrar e
me encontrar fugindo,
de quê mãe?Diz, são coisas que se me perguntem?
Não pode haver razão para tanto sofrimento.José Mário Branco – FMI
Dez 24
Tal como prometido, cá estou eu hoje para revelar os meus favoritos da música de 2009.
Como já tinha dito no post anterior, estas escolhas são baseadas apenas em gosto pessoal, portanto é muito natural haverem discordâncias por parte de muita gente. Nomes como Animal Collective, The xx ou Harlem Shakes não constam na lista justamente porque não se encaixam no meu gosto pessoal e não os queira incluir apenas porque uma mão cheia de sites, jornais e revistas os consideram geniais. Outros casos particulares que não constam aqui são os Placebo e os Muse, por razões diferentes dos anteriores: são bandas que eu adoro mas que, nos álbuns que lançaram este ano, fizeram aquilo a que eu considero esterqueira.
Adiante, o melhor é mesmo mostrar a lista e deixar o resto para quem quiser apreciá-la.
(por não querer usar nenhum tipo de ordem ou de contagem, coloquei os nomes por ordem alfabética)
Dez 23
Como certamente já toda a gente se deve ter apercebido (se não se aperceberam é porque ou não vêem televisão, não vão à internet nem lêem qualquer tipo de imprensa ou então são eremitas e vivem numa caverna), aproxima-se o fim do ano de 2009 e consequentemente o fim da década de 2000 (ou ‘00, como preferirem). Com eles surgem também as mais variadas listas e tops das mais variadas coisas de modo a organizar e catalogar o que de melhor se registou na década que está a passar.
Confesso que, como sou curioso por natureza, dou sempre uma vista de olhos nestas listas e tops apesar de não concordar muito com a rotulagem e arrumação em gavetas que este tipo de exercício parece demonstrar. Passo a explicar: gosto de ver estas listas porque há sempre qualquer coisa que me passa ao lado por muito bom e falado que seja, mas por outro lado não gosto porque há sempre aquela mania de ordenar numericamente os elementos da lista, o que leva sempre a comentários (incluindo da minha parte) do género “Como é possível X estar à frente de Y quando é muito pior?!” ou “Como é possível Z estar sequer nesta lista e outros melhores não estarem?!”, e por aí adiante…
Dez 22
A pergunta é: “O que estás a pensar?”
Cada vez que abro o facebook, uma rede social onde ‘existo’, deparo-me com uma lista de eventos, convites, aplicações, notificações, etc. E cansei-me disso!
Por esta altura, faz-se o clique na primeira notificação, e, se para minha solitária felicidade me propusesse a passar duas horas só aqui, era perfeitamente plausível que conseguisse, mas sem me esticar muito (como quem diz, ‘bora despachar isto que tenho de ir ver o twitter ou assim’); Primeiro, aceitar convites de amizade, rejeitar convites de amizade, abrir o perfil da tal de Maria para tentar perceber quem é, sendo que pela lateral do nariz e meio olho direito existentes na foto de perfil, errr, não atinjo – adiante – bloquear pela enésima vez o tal de farmville – meus caros, tenho um terreno na aldeia de onde venho, que gentilmente vos cedo para sujarem as mãos (também há sacholas [desculpem o vocabulário específico]) – todas as outras do tipo café world e afins vou-me abster de comentários sendo o a afirmação de abstenção de comentários a própria excepção à abstenção!
Dez 08